Mobilidade pensada também para o pedestre

A mobilidade urbana ainda é muito pensada em termos de como melhorar o tráfego dos carros e transportes públicos

“Cada cidade é um caso e cada caso tem seus problemas, mas em todos os grandes
centros urbanos, sejam em países de primeiro ou terceiro mundo, existem pessoas
que desejam e necessitam viver, trabalhar e se deslocar de modo acessível, e com
qualidade e segurança”, diz o consultor Gabe Klein, na abertura do Summit Mobilidade
Urbana Latam 2018 que ocorreu em maio, na cidade de São Paulo.
Apesar de ser uma questão muito complexa, a mobilidade urbana ainda é muito
pensada em termos de como melhorar o tráfego dos carros e transportes públicos. No
entanto, são necessárias políticas e estratégias voltadas para os pedestres e ciclistas,
levando em conta o cenário de cada cidade.
Segundo Klein, é necessário inverter a lógica que, para melhorar os deslocamentos e
reduzir os congestionamentos, é preciso abrir mais espaço para os carros. “Quanto
mais áreas oferecemos para os veículos particulares, maior será o volume deles, pois,
mais pessoas optarão por utilizá-los, e o problema nunca terá fim”.
É preciso compartilhar os espaços, essa é a opção mais inteligente e econômica. As
vias devem ser adequadas para os pedestres e para todos os modais, de ônibus a
bikes. O compartilhamento também faz muita diferença, e nisso a tecnologia pode ser
uma grande aliada. Os aplicativos de trânsito possibilitam o funcionamento dessa
estrutura e podem contribuir para a mobilidade nos centros urbanos. Além disso, o
uso de tecnologia para melhorar o transporte público também facilita a rotina dos
cidadãos.
PEDESTRES
No caso dos pedestres, existem questões ainda mais problemáticas, pois o
deslocamento a pé não é considerado um modo de transporte. Segundo pesquisa da
Política Nacional de Mobilidade Urbana, mais de 30% dos deslocamentos diários da
população brasileira são feitos exclusivamente a pé. E quando somados aos
deslocamentos que integram o uso de outros meios de transporte, como por exemplo,
o transporte público, essa porcentagem chega a mais de 60% dos deslocamentos.
O Associação Cidadeapé levantou algumas informações sobre as necessidades dos
pedestres nos grandes centros:
– Utilidade: é necessário que a rede de mobilidade promova o caminhar, se os
pontos de origem e destino estão a uma distância e tempo, adequados à
necessidade do pedestre.
– Acessibilidade: se os espaços podem ser percorridos por pessoas com
diferentes capacidade e habilidades.
– Conforto: se a rede e seus locais proporcionam espaço suficiente pra o fluxo e
permanência de pessoas, se oferecem conforto ambiental ou proteção às
intempéries.
– Segurança: em relação aos veículos motorizados ou contra crimes.- Atratividade: se os espaços foram planejados e desenhados, considerando a
escala da pessoa, se são interessantes e oferecem diversidade de usos para
além da passagem.

Fonte: https://cidadeape.org/category/pedestre/

Summit Mobilidade 2018